Este é um recordar é viver, diferente do normal, é por isso que o título não cita a rubrica nem o número correspondente. E também porque já falei disto anteriormente. Mas eu não podia deixar passar este dia sem falar naquela noite, dia, tudo que foi tão marcante!
O dia da mulher nunca será apenas o dia da mulher, desde o ano passado.
Faz hoje um ano que fizemos o Virar a Página, aquele concerto, aquele concerto em que tanto aconteceu. Surgiram novas amizades, elas já tinha surgido nos ensaios mas foi no concerto que tudo se culminou, fortaleceram-se antigas.
Tenho consciência que a minha amizade com a Rachel não seria o que é hoje se aquele concerto não tivesse sido feito, e ela também.
Tenho consciência de que não consideraria a Sophie e a Phoebe das melhores pessoas que conheço se aquele concerto não tivesse sido feito, e elas também.
Tenho consciência de que a minha opinião em relação à Isabel seria diferente se aquele concerto não tivesse sido feito, e a dela também.
Tenho consciência de que não gostaria tanto do meu maestro como gosto agora se não fosse aquele concerto, e ele também. Até porque eu sinto que ele passou a apreciar-me muito mais como cantora depois daquele concerto.
Tenho consciência de que a Jillian seria apenas a namorada do maestro e aquela rapariga fofa com a qual até me dou muito bem no coro se aquele concerto não tivesse sido feito.
Tenho consciência de que não daria os conselhos que dou à Mary actualmente se aquele concerto não tivesse sido feito.
Tenho consciência de que eu e o Toby seríamos simples conhecidos do grupo de catequese se aquele concerto não tivesse sido feito, e ele também. Até porque, até aquele dia eu tratava-o como "namorado da D." no blog.
Faltavam cerca de duas horas para o concerto e eu estava exausta, parecia que tinha sido atropelada por quinhentos camiões. Isto porque tinha acordado às nove da manhã, depois de não ter dormido nada durante a noite por causa do stress, para começar a preparar as coisas para a noite. Às duas da tarde fui dar catequese, às três tivemos a missa da catequese como sempre mas eu, a Mary e a Rachel não fomos, andamos a tratar do bar. Fomos ao hipermercado que ainda ficava um bocado longe do auditório onde seria o concerto, comprar gomas e fita cola para colar o preçário. Lembro-me que estava imenso calor, nós as 3 andávamos de manga curta porque já não aguentávamos.
Depois de termos tudo pronto tinhamos a missa do grupo de catequese (todos os segundos sábados de cada mês há missa do grupo) onde o coro ia cantar.
A missa acabou e fomos a correr para o auditório, tínhamos de jantar, foi o rapaz da bateria que foi buscar comida ao Mc. As portas ainda estavam todas fechadas, o rapaz das chaves estava atrasado. A comida chegou e nem sinais do moço. O que fizemos? Sentamo-nos no meio da estrada, em roda, e comemos. Sei que aquele jantar me soube pela vida!
O concerto era às 21h, já estava imensa gente do público à porta como nós e o rapaz das chaves só chegou às 20h. Nós ainda tínhamos de nos vestir e isso tudo! Fizemos tudo a correr.
Era a Rachel a apresentar, sei que corremos todos ofegantes para a fila da frente e a Rachel para o palco. O auditório estava cheio. Olhávamos uns para os outros super nervosos.
Quando as actuações começaram, tudo mudou! O nervosismo desapareceu, o cansaço foi esquecido, só queríamos viver o momento.
Antes do maestro cantar o Virar a Página pediu que subíssemos ao palco. Assim fizemos, abraçamo-nos todos e balançávamos ao som da música. É claro que escorreram umas lagrimazitas... Tanto esforço valera a pena, o público adorara e nós sentíamos tudo aquilo até à ponta dos cabelos.
Hoje, tenho a certeza que todos nós iríamos adorar poder voltar àquele dia.
Restam apenas as recordações, que eu não me importo nada de ter porque,
Recordar é viver ♪♫♩
As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade, só as lembranças que doem ou fazem sorrir.
Há gente que fica na história da história da gente.
Há dias que marcam a alma e a vida da gente.
Lembro-me da chuva em Agosto, e sinto que nada é permanente. Sei que tudo muda e que tudo passa, nunca nada é para sempre.
