Finalmente, vou falar-vos do cortejo. O momento em que deixamos de ser caloiros. Não vou descrever tudo porque se o fizesse teria de ser um post muito detalhado e longo, vou apenas falar do essencial e do que me marcou mais.
Basicamente nós percorremos muitas ruas do Porto. Cheguei lá às cinco e saí à meia noite e meia, quase uma. O caminho foi muito animado, íamos a ouvir as músicas que o camião fazia questão de se fazer ouvir bem alto. Uma vez, eu e umas raparigas fizemos uma roda e estávamos a dançar (o tradicional pé para a esquerda, pé para a direita e assim sucessivamente) e uma doutora finalista juntou-se a nós, depois parou e começou a cantar o "Mais e mais amor", nós seguimos claro e depois toda a gente que lá estava cantou também, quando olhamos para a tal finalista ela estava a cantar com uma força enorme e a chorar, arrepiei-me todinha!
Muito tempo depois desta cena linda, chegamos à torre dos clérigos, sentamo-nos e um finalista começou a falar:
"É agora caloirada! É a minha última descida - faz grande pausa - , vamos com tudo carago! Como manada que somos!"
E fomos... A emoção que senti a descer os clérigos foi inexplicável e inesquecível. Os clérigos já me são muito porque me lembro sempre do meu padrinho e descer aquilo como caloira pela última vez, sabendo que dei tudo e que senti tudo ao máximo... Não há palavras mesmo!
Pouco depois já estávamos na tribuna, pusemo-nos todos de joelhos e passamos por baixo das bengalas de todos os finalistas. Sei que a minha casa foi das poucas a fazer isto mas ainda bem que o fomos porque esse momento foi mais um inesquecível, os doutores gritavam por nós, diziam para continuar-mos, que éramos um orgulho e o último de todos disse "Bem vindas senhoras pastranas!", não me acreditei e ainda não quero acreditar! Mas sei que vou fazer de tudo para passar aos próximos caloiros o que me passaram a mim.
O tempo que passamos a caminhar e a cantar faziam daquilo um dia super cansativo, supostamente, cheguei ao fim com os joelhos todos pisados, mas não me queixei de nada e na verdade, não senti cansaço nenhum porque... quem corre por gosto não cansa!
Há um trecho de uma música que nós adoramos que resume o cortejo e toda a queima: 《Foi bom, enquanto durou, mas hoje acabou, tudo passou》. E foi isto.
Foi cortejo, foi inesquecível!





